segunda-feira, 14 de julho de 2025

Crescer é altura, amadurecer é profundidade!


Maria tinha pressa.
Desde pequena, achava que crescer era virar gente grande.
Com cinco anos, queria usar salto da mãe.
Com dez, queria ter senha no celular.
Com quinze, sonhava com a maioridade como quem espera o Natal: certa de que ali morava o milagre.

Zé era seu vizinho de muro e de tempo.
Mais calado, menos afoito.
Enquanto Maria colecionava aniversários, Zé colecionava silêncios.
Um dia, ela perguntou:
— Você não quer crescer logo não?
E ele respondeu:
— Quero, mas tô ocupado tentando entender o que isso quer dizer.

Foi nesse instante que Maria começou a desconfiar que crescer e amadurecer não eram a mesma coisa.
Piaget diria que crescer tem a ver com estágios: a criança que aprende a lógica, a linguagem, a moral.
Mas ele também sabia que entender regras não é o mesmo que compreender a vida.
Jung, por sua vez, afirmaria que amadurecer é integrar a sombra, é olhar pro que se esconde por trás do espelho.
E talvez seja isso: crescer é alcançar o espelho; amadurecer é encará-lo.

Maria cresceu.
Virou moça, mulher, mãe.
Fez faculdade, postou diploma, teve um filho que também quis crescer depressa.
Mas um dia, aos trinta e poucos, sentada à mesa, ela chorou com uma canção antiga.
E lembrou de Zé.
Do menino que entendia que pressa é coisa de quem tem medo do tempo.
Ela chorou porque, ali, percebeu que só então começava a amadurecer.

Crescer tem muito a ver com o corpo.
É biologia. É medida. É marco.
É quando o mundo nos olha e diz: “Agora você pode.”
Mas amadurecer é outro verbo.
É quando você olha pro mundo e pergunta: “Será que eu devo?”

Tem gente que cresce e nunca amadurece.
Ganha títulos, salários, responsabilidades… mas não aprendeu a lidar com perdas, frustrações, limites.
Outros amadurecem cedo não porque quiseram, mas porque a vida pediu.
Gente como Zé.

Zé, que virou psicólogo e dizia aos seus pacientes:
— Crescer é inevitável. Amadurecer é escolha.
Porque amadurecer é ato de escuta, de elaboração, de presença.
É saber perder e, ainda assim, seguir.
É entender que nem todo fim é fracasso, e que algumas dores nos alargam por dentro.

Maria encontrou Zé anos depois, numa livraria pequena, do lado de um café.
Ela comprava Clarice. Ele folheava Rubem Alves.
Sorriram.
Conversaram como quem costura passado e presente.
E, no fim, Maria disse:
— Cresci achando que o tempo resolvia tudo.
— E agora? — ele perguntou.
Ela sorriu, com olhos úmidos:
— Agora eu sei que o tempo só oferece. A gente é quem escolhe amadurecer.

E talvez essa seja a reflexão:
Não no que o tempo leva,
Mas no que a gente aprende a deixar.
Crescer é chegar ao topo do pé de manga.
Amadurecer é saber a hora certa de colher e, às vezes, de deixar no galho.

Por Fábia Layssa

terça-feira, 8 de julho de 2025

🐑✨ A Ovelha Fora da Caixinha

Sempre me senti um pouco estranha... você também? Desde a infância, essa sensação me acompanhava.

Na adolescência, acho que até consegui disfarçar um pouco, embora algumas amigas perguntassem:
"Por que você é desse jeito?"
Mas juro que tentei me encaixar: Nas falas, nos gestos, nos gostos, nos grupos... Só que não deu!

A vida adulta chegou, e com ela, a maturidade. Comecei a me perguntar:
"Por que você está agindo assim se não gosta dessas coisas?"
É verdade. Pra quê?

Então fui assumindo minhas formas, meu jeito, meus gostos, minhas manias.
Você pode até conhecer a menina "conversadeira", que fala muito, às vezes te interrompe 🙊...
Mas essa mesma menina ama chegar em casa e ficar um tempo sozinha, conversando com suas plantas 🌿 e com sua cachorrinha 🐶.
Dançando músicas que você não escuta mais nas rádios 🎶 porque são coisas do passado, mas que me fazem feliz!
Amo mexer meu corpo, soltar minha voz ao som da MPB, do forró, do axé 💃🏽.

Passo horas vendo documentários que não têm nada a ver com minha realidade, nem com meu trabalho.
E meu hiperfoco do momento? Estudar a construção da monarquia britânica 👑.
Mas já mergulhei em tantos outros interesses aleatórios por aí...

Antigamente eu ouvia:
"Você vai ficar em casa vendo essas séries? Que menina estranha!"
"Como vai conhecer alguém assim?"

🗣️ E olha que ela ama dançar!
Imagina se não? Iria se trancar de vez!

Alguns dos que eu chamava de "melhores amigos" se afastaram.
Me achavam diferente demais. Eu não me encaixava.
Confesso que fiquei triste com algumas dessas distâncias.
Jamais imaginei que meu jeitinho, que sempre respeitou os deles (mesmo sem curtir junto), causaria afastamento.

Mas vou te contar um segredo:
Não há nada melhor do que experimentar a tal solitude.
É viciante.
Curtir sua própria companhia.
Não depender de ninguém para fazer nada.
O mais difícil: Depois que a gente aprende a viver assim, é complicado deixar qualquer pessoa entrar no nosso mundo.

Na adolescência, quando ouvi Cássia Eller cantar:
“Foi quando meu pai me disse: filha, você é a ovelha negra da família”,
Eu pensava: Essa música é minha!
Mas trocava “ovelha negra” por ovelha mística 🌙.

Hoje, eu digo com orgulho:
Sou apenas a ovelha fora da caixinha.
E que delícia é ser assim.

Escrito por: Fábia Layssa 💌